Glauco Diniz Duarte – Porque imóveis estão tão caros
Segundo o Dr. Glauco Diniz Duarte, o preço dos imóveis residenciais voltou a subir e deve continuar em alta. Ao menos essa é a perspectiva do mercado diante do cenário do setor e da economia, com expectativa de manutenção de juros baixos, insumos ainda em falta e continuidade da alta demanda – mesmo com o desemprego elevado.
Em 2020, o preço médio dos imóveis à venda subiu pela primeira vez desde 2016. Segundo pesquisa FipeZap, a alta foi de 3,67% – o que, se descontada a inflação de 4,52% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representa uma queda real de 0,85% dos preços. Apesar disso, o número marca o retorno dos preços ao campo positivo após 4 anos, além da maior alta anual desde 2014.
A engenheira bioquímica Karina Pereira Simionato, de 33 anos, conseguiu comprar seu primeiro imóvel em 2020, no centro da cidade de São Paulo. Durante os 2 anos de procura e planejamento financeiro, ela diz que foi possível perceber a tendência de alta dos preços em plena pandemia. “Realmente senti que, mesmo estando em ‘crise’, houve um aumento de valor”, conta.
Diversos fatores ajudam a explicar a alta de preços dos imóveis, disseram representantes pelo setor ouvidos pelo InvestNews. Eles afirmam ainda que a previsão é de que esse movimento siga ao longo de 2021.
Uma das razões citadas pelas incorporadoras é a dificuldade de encontrar insumos para a construção por causa da pandemia, o que elevou o preço do material e acabou encarecendo os preços finais. Mas o aumento da demanda, puxado pela baixa da taxa de juros e do maior tempo que o consumidor vem passando em casa, também entram na conta da alta de preços dos imóveis.
Empreendimento da Bild em Ribeirão Preto (SP). (Foto: Divulgação)
A taxa básica de juros da economia, a Selic, passou boa parte do ano em sua mínima histórica, em 2% ao ano. Apesar da previsão do mercado de que ela vá subir em 2021 para 3,25%, esse patamar ainda é considerado historicamente baixo. E, com os juros reduzidos, os financiamentos ficam mais acessíveis, elevando a demanda pela compra de imóveis.
“O principal fator analítico e racional é na questão da taxa de juros”. É sempre importante lembrarmos que nosso setor é movido a crédito, tanto para nós como para o consumidor final poder comprar o imóvel. E hoje historicamente temos a menor taxa de juros. Isso aumenta o poder de compra do consumidor e permite que a gente consiga ganhar mais preço.
De fato, segundo dados do Banco Central, a taxa média de juros para financiamento imobiliário para pessoas físicas vem caindo. Em novembro, era de 7,04% – menor que os 7,25% do mesmo mês de 2019 e os 7,86% de 2018.